30.7.08

Para os novos críticos de arquitetura

(Itamaraty_foto De Arquiteturas)

A Faculdade de Arquitetura do Porto está organizando um concurso de ensaios para estudantes portugueses e brasileiros sobre a obra de Oscar Niemeyer, em celebração ao seu 100º aniversário. A data limite para entrega é 15 de setembro de 2008. Mais informações no site da fauldade, com o regulamento e ficha de inscrição.

26.7.08

Pra entender Barcelona

(vista geral_montagem De Arquiteturas)

Como já é comum no discurso sobre Barcelona, o projeto da Torre de Collserola, do escritório Foster and Partners, foi desenvolvido para ser inaugurado junto com as olimpíadas de 1992. Foi organizado um concurso (que aliás eu não encontrei os participantes, quem souber deixe um comentário) e o projeto do escritório inlgês foi escolhido.
Está localizado na montanha de Tibidabo, ao norte de Barcelona, local escolhido a dedo, já que de quase toda a cidade você enxerga a torre, além do fato que desde a cota 425 (a cota da base), pode-se ver toda cidade, de rio a rio e entender-la quase por completo.


(vista da cidadel_foto De Arquiteturas)

O ponto principal do projeto é sua estrutura que consiste em um grande apoio em concreto armado, de alta resistência, de forma circular, com 4,5 m de diametro e um vazio interno de infraestrutura de 3 m, que reduz proporcional aos esforços. Nesse apoio esta disposta a circulação veritcal, com escadas de emergencia e eleveador panorâmico, e a cada quatro andares das plataformas há um anel metálico onde estão articuladas diagonais de estrutura metálica, que sustentam os treze andares. A fundação da estrutura é uma laje de concreto com 370 m2 e altura de 5 m.


(diagonais metálicas_foto De Arquiteturas)

Devido às grandes influências de esforços naturais o edifício é atirantado por completo. A primeira linha de tirantes (visível desde a cidade) é composta por, aproximadamente, 180 cabos de 15mm, sendo que em cada vértice da plataforma triangular está articulado três linhas dessas. Elas ajudam a sustentar todos os andares e no último se articulam com a segunda linha de tirantes. Essa, por sua vez, é composta por sete cabos de 56mm que sustentam o mastro metálico, até a sua altura final de 288 m. Esses cabos, por exigencia do programa, são de Aramida, uma fibra orgânica, que diferente do aço, não interfere na transmissão de ondas da torre.


(9 conjunto de tirantes_foto De Arquiteturas)


(pormenor de um conjunto_foto De Arquiteturas)

Todos os andares são de uso particular, reservados para as empresas de telefonia, rádio e televisão, com exceção do décimo, que é de livre acesso ao público (claro que tem que pagar pra subir). Além da torre em si, na sua base foi construído, completando o conjunto, um edificio de suporte de instalações, com cafeterias e recepção aos visitantes, que desde a cidade não se vê, já que está implantado abaixo da cota da torre, como em um subsolo. Ele é visto só de perto e das cotas superiores, que, aliás, quando se está lá, os vidros escuros, que limitam o espaço interior do exterior, por momentos nos fazem pensar se é o edifício ou a montanha mesmo.


(vista geral_foto De Arquiteturas)

Uma coisa que é nítida nesse projeto quado se tem a primeira impressão no local: a necessidade da equipe toda pra desenvolvê-lo. É uma escala fora do comum, ainda mais quando comparamos com o lugar que está implantado. Realmente não causa muitos contrastes, tirando a sapata de concreto que é brutal, mas necessária e com o tempo já começa a ficar escondida pela vegetação, mas todo o resto da arquitetura é esbelta, comparada com a sua dimensão.

(sapatas_foto De Arquiteturas)

Torre Collserola (1988/1992)
Arquitetura: Foster & Partners
Estrutura: Cubiertas e MZOV

23.7.08

MoMa



A exposição de casas prè fabricadas no MoMa de Nova York começou dia 20 e vai até o mesmo dia de outubro desse ano. Nela pode-se conhecer um pouco da história desse método construtivo aplicado às residencias e também ver protótipos das experiencias contemporâneas, montadas em uma área ao lado do museu.
Essa parte da exposição conta com projetos de 5 arquitetos convidados. São eles: Kieran Timberlake Associates (Philadelphia), Jeremy Edmiston and Douglas Gauthier (New York), Horden Cherry Lee Architects / Haack + Höpfner Architects (London/Munich), Massachusetts Institute of Technology School of Architecture and Planning / Associate Professor Lawrence Sass (Cambridge), and Oskar Leo Kaufmann (Dornbirn, Austria).
Como nem todos podem viajar à NY e conferir o espaço montado, a organização do Museu desenvolveu um site, com os protótipos, alguns videos do processo construtivo e um linha do tempo da pré fabricação, com os exemplares mais conhecidos.
Essa idéia me lembrou as exposições do princípio e meados do século passado, como a de Artes Decorativas de Paris, 1927 (onde foi apresentado o Pabelló L'Esprit Nouveau), a "Casas do nosso tempo", de 1931, com o projeto das duas casas para solteiros de Mies van der Rohe e Lilly Reich e a Case Study House, nos EUA, que começa em 1945. Era o momento em que a casa estava em plena discussão, tanto em seus avanços tecnológicos, sua disposição espacial e no seu modo de viver.
A pré fabricação volta à tona. Será que finalmente vão perceber que é o método construtivo mais eficiente e que de limitado só tem os investidores que preferem os métodos tradicionais?
O que podia acontecer é essa exposição dar uma volta pelo Brasil e incorporar a técnica construtiva do mestre Lelé.

Mais

Vendo os links e mais links de pré fabricação encontrei esse aqui. Tem todos os arquitetos que estão expondo no MoMa e muitos outros.

19.7.08

Útil

Para quem quer visitar Espanha, Portugal, Gibraltar e sul da França com um foco mais na arquitetura, tem duas opções que facilitarão a vida.
A primeira é uma iniciativa da Fundação Docomomo, junto com a Fundação Caja de Arquitetectos e a Fundação Mies van der Rohe. Eles compilaram as obras de arquitetura mais representativas do século XX na Espanha, Gibraltar e Sul da França, publicaram um catálogo e ja faz um tempo que diponibilizam a relação dessas obras no site da Arch XX Sudoe España. Nele pode-se encontrar as obras de arquitetura por nome, ano, uso e/ou região, além de poder descarregar todos os textos e o conteúdo do catálogo, incluindo imagens e as fichas da exposição.
Seguindo a mesma linha a Ordem dos Arquitetos e Instituto das Artes, de Portugal, junto com a Fundação Mies van der Rohe, publicou o Inquérito à Arquitectura do século XX de Portugal (IAPPXX), em 2006, e também liberou a busca para todos no site. O argumento para a escolha das arquiteturas foi dito por Helena Roseta, Presidenta da Ordem dos Arquitetos: "...foi baseado em critérios de representatividade cronológica, estilística, regional ou tipológica, sem deixar de lado a qualidade arquitetônica..."

A idéia de ter os dois sites é, primeiro, ter um arquivo, uma memória, de tudo que foi desenvolvido no século XX que tenha seu valor, e, segundo (talvez ponha em primeiro), é colocar à disposição de todos para que a arquitetura adquira mais reconhecimento de toda a população, não só dos arquitetos.

15.7.08

Teatros esquecidos



(foto do teatro Arnau em Barcelona_fonte:
International Observatory of Theatres at risk)


International Observatory Of Theatres At Risk é um site de um grupo de jovens arquitetos catalães, residentes em Barcelona, que reservam um horário da semana para discutir sobre espaços de teatro. O foco é a luta pela recuperação das atividades de algumas salas que estão em estado de abandono e que algum dia já fizeram parte do cotidiano cultural das cidades.
As salas não necessariamente estão em Barcelona. Já foram pontuadas em cidades como Londres, Madrid, Zaragoza e a idéia é que se alastre, para que essa atividade não se perca.
Além disso o site disponibiliza materiais que envolvem o tema
(pode-se baixar em pdf), um link do flickr com fotos dos teatros e está aberto para receber informação sobre espaços teatrais que estejam em risco.
O interessante da idéia é que ao mesmo tempo que discute a retomada dos edifícios como espaços de encontros sociais, valoriza o patrimônio arquitetônico, se esse último não for muito representativo, vale pelo primeiro. Resumindo saímos ganhando de qualquer maneira.

13.7.08

Últimas dos Coches



(maquete eletronica do projeto: fonte Diário de Noticias)

Como quase todos sabem, Paulo Mendes da Rocha (ganhador do mais importante galardão da arquitetura, como dizem os portugueses) vai projetar o novo museu dos coches em Belém, Lisboa.
A construção do museu faz parte do programa Belém Redescoberta, que tem o plano de recuperar as zonas ribeirinhas da capital, e tinha previsão de inauguração em 2010, mas que no último dia 10 foi adiada para 2015, segundo o "Diário de Notícias" de Portugal.
Deixo um link da TSF, uma rádio portuguesa, que disponibiliza um vídeo com algumas imagens além da que saiu em algumas publicações (acima), com direito a narração de uma gaja sobre o projeto.

10.7.08

Musica Catalana


Escrevo sobre o Palau de la Música Catalana por um acaso.
Esse ano o edifício Modernista projetado por Domenech i Montaner festeja 100 anos e para a comemoração foi organizado um simpósio de arquitetura e música. Entre os presentes estava o Pritzker 2008 Jean Nouvel, o jurado dos Pritzkers, Claudio Jimenez, o prórpio Tusquets, Carlos Ferrater, Ignacio Paricio, Luis Mansilla e Emilio Tuñón (ganhadores do premio Mis van der Rohe de 2007) entre outros convidados.


(Jean Nouvel: foto De Arquiteturas)


(Carlos Jimenez: foto De Arquiteturas)

(Emilio Tuñón: foto De Arquiteturas)

Comprei para o dia do Jean Nouvel, pra ver como o arquiteto fala de sua própria obra, já que essas oportunidades não são tão frequentes no Brasil. Para ampliar o repertório conheci essas outras figuras, o que valeu à pena. Projetos menos megalomaníacos de boa qualidade.
Mas entre todos os participantes, todas as falas, o auditório prende o olhar, por mais que goste ou não.

(vitral do teto: foto De Arquiteturas)

("foyer": foto De Arquiteturas)


Digno do modernismo catalão (assim como Gaudi e Puig i Cadafalch) o edifício é bem construído, coisa que nem todos percebem, já que os ornamentos chamam mais atenção que a técnica. Uma estrutura simples, entre arcos, abóbodas catalãs (um elemento construtivo típico daqui) e com grandes vãos. As abóbodas mudam de raio dependendo do ambiente, uma forma de distingui-los e mesmo antes do restauro percebe-se como os pormenores construtivos ja foram pensados. Um dos exemplos é a bilheteria, que faz parte da estrutura da antiga entrada, outro é a porta de correr que fica escondida atras da fachada e quase nao se percebe sua existencia.


(bilheteria e detalhes da fachada: foto De Arquiteturas)


(abóbodas catalãs: foto De Arquiteturas)


(bilheteria e antigo acesso: foto De Arquiteturas)

O acesso à platéia e feito por duas escadas que dividem a antiga entrada da nova. Essa última com ampliação de uma empena de vidro, que abrange toda a fachada e proporciona um espaço amplo de iluminação, ventilação e exposição. Essa empena está fixada nos tijolos da antiga fachada e os grandes panos de vidro são articulados com peças metálicas.

(empena de vidro: foto De Arquiteturas)

Junto com essa intervenção, um novo edifício de serviços foi construído, talvez o ponto mais discutível do projeto, já que a escolha dos materiais e dos acabamentos foi praticamente a mesma do existente, o que daqui alguns anos deixará uma dúvida quanto a verdadeira data de um e de outro. O que resta a dizer é que é bem construído e que aparentemente funciona bem.


(ampliação Tusquets: foto De Arquiteturas)

Todo esse conjunto organiza o acesso, que foi pensado em uma forma de também organizar sua relação com a cidade, ampliando a Carrer del Palau de la Musica e, acrescido de um restaurante, que limita a entrada com um vidro duplo de respiro e iluminação do subsolo e cria uma praça interna ao lote com mesas e um espaço de "foyer" exterior, proporciona uma área intermediária entre o espaço público e privado, mas que visualmente estão integradas.
Da próxima vez que for espero ir em um concerto, já que todos que tocaram lá, inclusive nosso ministro da cultura, elogiaram a acústica, um dos pontos discutidos no simpósio.

Ponto forte

O melhor do projeto é o uso da luz natural para iluminar o espaço interno. Diferente de quase todas as salas de concertos, a iluminação é feita por vitrais e o efeito valoriza bem o espaço.


(iluminação natural: foto De Arquiteturas)


(iluminação natural: foto De Arquiteturas)


Palau de la Música Catalana (1908) Domenech i Monataner
Requalificação e restauro: Oscar Tusquets (1989)


4.7.08

No final da Diagonal (1)

(vista desde Passeig Taulat: foto De Arquiteturas)

O projeto do Fórum de 2004 faz parte da requalificação da área de Barcelona, localizada no final da Avenida Diagonal, e que seria, ou ainda será, o ponto de partida para a transformação desse setor em um pólo atrativo da cidade.
A primeira impressão é de um edifício pesado com uma implantação curiosa. Ao caminhar por seu perímetro é possível imaginar sua seção. Na verdade é um edifício horizontal e a relação com a planta térrea varia ao longo do percurso.

Chegando de metrô pela linha 4, na estação El Maresme del Forum, já se pode ver um dos vértices do triângulo e quando cruzamos o Passeig Taulat, se tem a primeira impressão da escala urbana em relação a um indivíduo. Uma proporção exagerada, que muda ao longo da sua fachada sudoeste e que, ao chegar ao segundo vértice, já se pode tocar sua textura predominante.


(vértice 2: foto De Arquiteturas)

A fachada sul tem a relação de altura mais estável, variando só com o traço dos arquitetos. No último vértice o contato com a obra passa o nível da escala humana e a vista para o Passeio Taulat nos dá a exatidão do projeto quanto a implantação.


(rebaixo da fachada: foto De Arquiteturas)

(vértice 3: foto De Arquiteturas)

A maior parte da planta térrea é livre, resultado do desenvolvimento de sua estrutura que, segundo o arquiteto que fez seu cálculo estrutural, Robert Brufau (hoje associado ao escritório BOMA, principal escritório de cálculos de Barcelona, responsável pela estrutura da Torre Agbar de Jean Nouvel, do projeto de Richard Rogers para a Arena de Touros entre muitos outros) foi um trabalho com alguns desafios, devido suas dimensões (área total de 14.000 m2)
Vale a pena conferir o site , afinal o arquiteto fica reconhecido, mas por trás sempre tem uma equipe, que em muitos casos (dependendo da forma de pensar arquitetura) tem iguais ou mais méritos que o próprio criador.
São 17 apoios, informação possível só analisando sua planta, já que a estrutura não foi ultilizada como elemento de identidade do projeto, o que nos permite, apenas, imaginar ou prever seu funcionamento. O triângulo de 180 metros de lado, que não são equiláteros (fato que não possibilitou a pré fabricação e redução do orçamento) distribue aproximadamente 820m2 de área do edifício por pilar, resultando em alguns pontos em balanços superiores a 15 metros. Esse balanços são possíveis pois estão pensados através de treliças metálicas de 4 metros de altura. No primeiro vértice esse balanço chega a 28 metros.

(cortes)

Todo o volume é revestido com uma textura azul, de massa, que tem uma camada de ar, gerando uma fachada ventilada, que junto da cobetura de espelho d´água foi pensada para o conforto térmico do edifício, independente do uso de ar condicionado em toda sua área, além de criar, quando chove e transborda, uma caída de água pluvial na planta térrea.
O material escolhido para o forro do projeto, seja no exterior como nos espaços interiores como os auditórios é uma chapa metálica com perfurações aleatórias, que também reveste as entradas de luz na planta térrea. Essas últimas criam espaços que retomam a sensação das áreas onde a altura em relação ao solo é mais generosa, principalmente quando estamos caminhando em direção a fachada sul.


(chapa metálica: foto De Arquiteturas)

(entradas de luz: foto De Arquiteturas)

(sob o edifício: foto De Arquiteturas)

Um ponto que chama a atenção é o uso do edifício e de toda essa área que esta em reestruturação. No outono e inverno quase não ocorre nada, o edifício é mais usado no verão e ainda em ocasiões de concertos e feiras abaixo da grande cobertura.

Maquete

No espaço interno, iluminado por aberturas que variam no decorrer dos 180 metros e que dão o ritmo ao lado exterior, há uma maquete de toda Barcelona na escala 1:1000. Essa maquete nos da a noção exata de sua dimensão e de seus limites, já que a cidade é demarcada por rios e montanhas. A noroeste o Tibidabo, montanha onde há a Igreja del Sagrat Cor e a torre Collserola, projetada por Norman Foster. A nordeste o rio Besós limita Barcelona com Sant Adriá de Besós e Badalona e a sudoeste o rio Llobregat é que faz a divisa com El Prat de Llobregat sentido Castelldefels.


(vista interna: foto De Arquiteturas)


(maquete: foto De Arquiteturas)


(maquete: foto De Arquiteturas)


Edifício Fórum (2002/2004)
Arquitetura: Herzog de Meuron
Estrutura: BOMA (Robert Brufau)